Levantou-se enfurecido, jamais alguém o subestimara daquela forma...
Saiu voando, esbarrou em uma senhora, senhora essa bem desbocada, que o xingou, e chamou sua mãe com tantos adjetivos pervertidos, mas ele nem ouviu, estava tão atordoado, aquelas palavras foram tão fundas nele, e como dizem "a verdade dói", e ele sentiu a dor da verdade...
Ele acabara de terminar mais um de seus relacionamentos efemeros, e insignificantes, quer dizer, era o que ele achava, no fundo no fundo ele sabia que estava terminando por medo, ele nunca havia sentido isso antes, talvez fosse aquilo que muitos chamavam de amor...
Ele pensou que ainda era muito jovem para sofrer "daquilo", tinha toda uma vida para aproveitar, muitas meninas para namorar, pra que perder tempo com uma coisa que poderia comprometer seu futuro...
Depois de um mês e alguns dias, que ele não lembrava-se direito( homem nunca lembra) ele decidiu terminar...
Talvez um erro, ou apenas um obstáculo...
Jamais saberia ao certo...Ela foi a única pessoa que o fez agir daquela forma, sentir o que ele havia sentido.
Depois de ele ter terminado o relacionamento, ela chorou, sofreu, ele a viu chorar por ele, sentiu muito, afinal ele gostava dela, mas o seu medo, ou receio como explicara, o impediam de seguir em frente, ela pelo contrario estava disposta a tudo, também estava amando, gostando, e queria algo a mais, mas sempre que conversavam ele tratava de mudar de assunto...
Aquele dia tinha sido fatídico, o estopim para os dois, ele como sempre fingia desinteresse, e ela fingia que não percebia...
Pela primeira vez ele chamou-a para falarem serio, uma conversa sobre relacionamento, ela ficou estática, gélida, o que seria que ele queria???Essa era uma pergunta retórica que fazia a si mesma, no fundo ela sabia que aquele era o fim...
depois de dez minutos olhando-se mutuamente, ele cortou o silencio com a palavra mais afiada, definitiva: "ACABOU"...
Chorou, choraram, mas ainda houve tempo para ela falar tudo que sentia, e ainda mais um pouco...
Detalhou minuciosamente o psicológico dele, os seus sentimentos, e isso foi o bastante para ele, ninguém se atrevera ate então a falar dele daquela forma, ela foi sincera e franca, disse sem receios...
Terminaram tudo, e ainda hoje ela sente, ela questiona-se se foi certo ter dito tudo aquilo, pergunta se não teria sido melhor ter desculpado-se, mas agora era definitivo, não veria mais ele...
E ele talvez estivesse arrependido do que fizera, e pretendesse pedir desculpas, implorar perdão, mas agora era definitivo...
Ele virou luz. Ele era, é, passado...


