quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Levantou-se cedo...Era uma manhã fria, do inverno de 1994, os pássaros não cantavam como antes, talvez o frio os incomodassem, ou estavam com a mesma dor de garganta que ele estava...Sua esposa ainda estava dormindo, dormia feito pedra, talvez pela noite que tinham tido, uma noite inigualável, e que ele não iria esquecer pelo resto de sua vida...Pareciam esta comemorando algo, e talvez estivessem, a alegria, felicidade e amor constante que viviam...

Desceu, ainda de pijama, foi até a cozinha e preparou uma xícara de chocolate quente...Pôs na sua xícara predilecta, ligou o som, havia um CD do Deep Purple, ouviu duas, ou três canções, resolveu ouvir um de seus LPs, pesquisou em sua discoteca...achou um de Maria Bethania, pôs na vitrola, saltou pra musica Explode Coração, uma bela musica de Gonzaguinha...Pensou em toda sua vida, e a noite que havia passado com a mulher que tinha prometido sua vida, feito juras de amor, e lembrou-se que ainda continuava a fazer juras, talvez por instinto, ou quem sabe necessidade...

Lembrou-se do seu casamento, tão fora do comum, os dois vestidos com o mínimo de roupa, descalços, na praia, com vários amigos presentes...Poucos familiares, mas um casamento divertido, ao ar livre...Bem a cara dos dois...

Depois de dois anos juntos, sempre juntos, em brigas, em alegrias e em conquistas, inseparáveis, inconfundíveis...Podia-se dizer almas gêmeas...

Dez minutos depois, mais ou menos, de ele ter lembrado tanta coisa, ela desceu, cabelos desgrenhados, pijama amarrotado, e aqueles olhos, ah...Aqueles olhos inconfundíveis, verdes claros, tão duros, tão austeros, e tão simples ao mesmo tempo...Ela tão linda, quanto a primeira vez em que se viram, um cabelo de tom ruivo, olhos belos, e umas poucas sardas no rosto, branca como neve...A mulher de sua vida...Além de preparar o melhor café que ele já provara...

De repente os dois se olharam, ele sentiu uma forte dor no peito, caiu desfalecido...Ela imediatamente correu até ele para socorre-lo, cinco minutos depois, ele levanta-se, se recompõe...Ela mostra-se preocupada pela saúde do amado...conversam a respeito do que estava lhe acontecendo, há algum tempo ele tinha observado um caroço, como se fosse um gânglio, no seu peito direito...E sempre doía, e ele sentia-se fraco...Eles lembram que aquele pitoresco caroço já tinha uns três a quatro anos...Ela resolve leva-lo, nesse instante ao medico, aquilo não podia continuar daquela forma, os dois ignorando e até brincando com a saúde dele...

Nove horas da manha, tomaram banho, se trocaram e foram ver o medico, ela havia marcado a consulta por telefone...Chegaram ao hospital e aguardaram na sala de espera...A enfermeira os chamou, foram os dois de mãos dadas em direção a sala do doutor, foram bem recepcionados, o medico cordialmente apertou as mãos do dois, puxou a cadeira para ela e passou a conversar com eles, perguntou qual o problema, e como ele vinha se sentindo nos últimos dias...depois de uns dez minutos de conversa e o medico pediu para que se deitasse na maca, para que o medico pudesse fazer seu prognostico...

De repente o medico pergunta se ele já tinha feito o auto-exame da mama...Ele respondeu que já tinha sentido algo, mas nunca tinha passado por sua cabeça que fosse algo serio....

O medico logo fez uma cara(aquela cara de que algo ruim tinha acontecido), ela percebeu de imediato, e obviamente preocupou-se, ele pediu para que o doutor fosse-lhes franco, e não escondesse nada...

o medico pacientemente, pediu para que ele levantasse e vestisse a camisa que havia tirado, pediu para se sentarem, e explicou...

Câncer de mama...Câncer já é uma palavra assustadora, e alvo de muito preconceito, eles , como a maioria das pessoas, odiavam pronunciar essa palavra sempre diziam as letras ou mudava o nome, e consequentemente não sabiam o bastante, eram leigos no assunto, tudo por uma besteira, que era o medo, preconceito contra a doença...O medico foi directo, disse que provavelmente ele estivesse com câncer...

Fizeram a mamografia, e infelizmente...

Ele tinha sido vitima do seu próprio preconceito...O câncer já havia tomado todo seu peito, estava destruído por dentro, e o medico deu sua sentença...

O inverno passou e com ele todo aquele amor desmedido...Ele se foi tristemente, deixou apenas a lembrança de dias felizes, das muitas horas de brincadeiras e brigas por coisas simples, supérfluas, o dia que fingiu estar bêbado, a discussão pra decidir qual seria a cor da parede da janela, onde iriam por o abajur que haviam comprado em um antiquário que acharam na viagem a Portugal que fizeram em 92...

Ela agora era só lembranças, como pode alguém ir assim tão de repente, mas ela lembra-se da despedida, dos muitos momentos em que foram felizes, do dia em que viveram como se nunca mais fossem se ver, o que realmente aconteceu, talvez destino...Puderam se tocar, se amar, ser feliz ao menos por uma ultima noite...

E ela só, triste, inconformada com tamanha falta de bom senso, chorou noites seguidas em busca de seu grande amor...De seu eterno amor...

Eu fiz esse texto lembrando de um blog que eu visitei tem algum tempo....e como muitos, eu não sabia que homens podiam ter câncer de mama, fiquei triste, comovido com a historia dela, talvez o cara não fosse namorado, ou marido dela, era uma pessoa próxima e que ela gostava muito, resolvi escrever isso...confesso que pensei num final feliz....mas não consegui...

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

ღಌ Novos Horizontesღಌ

Há quanto tempo???Não venho aqui me autovisitar jah faz algun tempo, as minhas formas de expressar sentimentos oscilaram, mudei um pouco de ares...Experimentei coisas novas, a minha droga agora é outra, não me perguntem se sou viciado, drogado ou algo parecido, eu sou eu, sem por nem tirar, sentimentalista reprimido, apaixonado escondido... O ar me traz a certeza de dias tão bons quanto esses, e principalmente com ela ao meu lado, planejando e construindo, conversando e discutindo, vivendo o nosso momento... O céu me faz conhecer horizontes que nunca dantes tinha olhado, e percebo o infinito que sempre me habitou, e agora fico pasmo, como pode alguem ter sentimentos tão belos e desconhece-los??? Meus pensamentos???É ela quem habita, minha mente pertence a ela, minha teorias, opinioes ela conseguiu tranformar, nem todas é claro, mas boa parte delas, e principalmente as mais importantes, ela foi capaz de me acordar, de me mostrar onde pisar, sem medo, com ela sempre ao meu lado... Me ensinou a não ter medo de sentimentos, e também aprendi a expressa-los, quer dizer isso eu fazia muito bem, mas escrevendo...Agora eu os demonstro...Sem medo de que os outros possam pensar, afinal como dizem: "Preocupe-se mais com sua consciência,do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você realmente é. E sua reputação é o que os outros pensam de você, e o que os outros pensam de você, é problema deles" O meu amor eu expresso com palavras, e agora com gestos, com letras de canção, com poesias, e textos de grandes mestres... Eu já fui só, hoje não... Hoje eu sou só acompanhado....

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

"Minha vida não foi um romance...Nunca tive até hoje um segredo.Se me amas, não digas, que morroDe surpresa... de encanto... de medo...Minha vida não foi um romance...Minha vida passou por passar.Se não amas, não finjas, que vivoEsperando um amor para amar.Minha vida não foi um romance...Pobre vida... passou sem enredo...Glória a ti que me enches a vidaDe surpresa, de encanto, de medo!Minha vida não foi um romance...Ai de mim... Já se ia acabar!Pobre vida que toda depende " Canção para uma valsa lenta (Mário Quintana).

domingo, 12 de agosto de 2007

Nesse segundo...nao há mais nada....

A dor latejava no peito...na boca o estranho gosto de sangue...uma lágrima escorria no seu rosto, demonstrando todo seu sentimentalismo reprimido...Ele passava dias a se perguntar: Será??Como será??? e por que será???
O medo corroía sua alma, uma espécie de acido, tudo corroía, sentimentos bons e ruins, deixava um vazio, uma dor, uma insegurança...
Ao acordar olha-se no espelho e percebe como o tempo passou sem ele ao menos perceber, como estava agora...um traste, barba mal feita, cabelos desgrenhados, um olhar triste, uma tristeza profunda que reflectia em seu semblante...
No ano passado tinha se formado em direito, pensava em exercer a profissão ou ser um promotor de justiça, é certo que tinha um futuro promissor, mas de repente, mais que de repente, toda sua vida se transformara da noite para o dia...
Foi ela...digo sem receios, pois a culpa foi sua e de mais ninguém, ela foi a responsável por tamanha...tamanha...palavras não explicam o que aconteceu, foi tudo tão demasiado, tão intenso e profundo, o levou a perdição, a loucura total...
Como pode um homem centrado, equilibrado, perder a noção dessa forma???
É verdade...algo explica...foi AQUILO que o atingira de cheio, sem avisar, sem bater a porta...Tão de repente, mais que de repente...Ele se entregou, sem pudores, sem vergonha, sem medo, e isso foi o ápice...foi a causa...e depois apenas o efeito, as consequências...
Ela fez o possível, ele fez o impossível...Ela disse que gostava dele, ele disse que a amava...
Mas não foi o todo, foi a falta do todo que fez, provocou, desencadeou tudo aquilo...Sem medo de ser feliz ele foi...Sem pensar em nada ela o aceitou..ERRO...Foi isso...não foi correspondido, não foi de todo satisfeito, ela simplesmente foi sincera, franca...e ele simplesmente foi, não foi, não é....

terça-feira, 7 de agosto de 2007

O mundo Silencioso

  • num esforço para que as pessoas

    olhem mais nos olhos umas das outras,

    e também para satisfazer os mudos,

    o governo decidiu determinar

    para cada pessoa exatamente cento

    e sessenta e sete palavras por dia.

    quando toca o telefone, ponho-o ao ouvidos

    em dizer alô. no restaurante

    aponto para a canja de galinha.

    estou me ajustando bem ao novo jeito.

    tenho estampas para todas as ocasiões.

    cada manhã invento uma nova frase

    que imprimo numa camiseta,

    como: os seres humanos estão vindo

    ou karaokê para mudos.

    tarde da noite, ligo para meu amor distante,

    orgulhoso digo somente gastei cinqüenta e nove hoje.

    guardei o resto para você.

    quando ela não responde

    sei que usou todas as suas palavras

    então sussurro lentamente eu amo você

    trinta e duas vezes e um terço.

    depois disso, ficamos junto à linha

    ouvindo um o respirar do outro.

    jeffrey mcdaniel (tradução de mauro faccioni filho)

roubei de um outro blog...acho q nao tem nada não...o que importa é a mensagem que o texto passa...também não vou dizer de que blog foi que eu roubei, ou melhor tomei emprestado...rsrsrs

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Os sonhos são desejos reprimidos...

Três horas da manha ela sai da boate, meio tonta ainda, das taças de champanhe que havia tomado, havia abandonado a vidinha certa que levava, agora era uma bon vivant, seguia a risca o carpe diem...
Uma dentista de vinte e oito anos, ruiva, bonita de olhos castanhos e cabelos cacheados, com algumas sardas no rosto... Saindo da boate em que tocava uma musica antiga de Ney Matogrosso, lembrou-se que o nome da musica era Bandoleiro, um clássico do cantor.Entrou em seu carro, ligou o radio e tocava uma musica de Ana Carolina, saiu depressa e assobiando a canção...Cruzou a avenida sem perceber que havia ultrapassado o sinal vermelho, passou pela praia de Copacabana, no calçadão só alguns casais, viu um barzinho(quiosque) que ainda estava aberto, percebeu que ainda estava sob o efeito do champanhe, resolveu parar e tomar um refrigerante: -Uma coca, por favor.. O rapaz foi rápido, trouxe-lhe copo com gelo e limão, e a coca... Ela passou meia hora "enrolando" com a coca...Quando chega um grupo de amigos, ela presta atenção especialmente em uma loira de olhos verde, alta, cabelos compridos, muito bonita... As duas se olhavam, e flertaram por algum tempo, quando a loira toma a iniciativa, puxa uma cadeira e oferece um cigarro, ela aceita e agradece...O papo fluiu com uma facilidade, as duas ficam se conhecendo, conversando por um bom tempo... A loira a chamou para darem uma volta na praia, as duas descalças caminham na areia, uma madrugada quente, depois de uns quinze minutos andando a loira a puxa e da-lhe um beijo caliente, ela tenta se desvencilhar do ataque surpresa da loira, mas não resiste àquela mulher linda e de um beijop inigualavel. Caem as duas na areia, e sob a luz do luar se beijam ardentemente, a loira põe sua mão sob o seio da ruiva e em movimentos sensuais a provoca...A loira tira a camiseta, que anteriormente a ruiva tinha observado, seus seios sob aquela camiseta azul, fina, seios saliente que inexplicavelmente lhe despertara um tesão... Tiram a roupa, fazem sexo sem pudor, ao som do mar... Transam numa felicidade, antes duas desconhecidas, agora juntas transando a céu aberto, e gemem alto num prazer de fazer inveja a qualquer mortal...Têm orgasmos múltiplos, e o Cristo numa ironia sem lógica, ao longe admira tão espectacular cena, duas MULHERES transando felizes sob o cartão postal carioca: a praia de Copacabana, sós, nuas, suadas, derretidas de prazer, amando-se loucamente numa herege sincronia... De repente ela acorda, sente-se suada, com um prazer e uma leveza na alma, olha pra o lado e vê aquela imagem tosca, seu marido gorducho, com a barba mal feita, roncando todo babado, e ela percebe que tudo não passou de um sonho, um sonho devasso e muito gostoso... Pela primeira vez ela admitia, e não se condenava por isso, sentia-se bem depois daquela transa platónica, teve prazer e não se arrependeu, pois no fundo aquele era um desejo reprimido...
Desculpem a pornografia, mas eu senti necessidade...nunca escrevi um texto com tanto sexo, tao sem pudor, ou sem paradigmas...mas eu achei interessante o quanto ainda sou hipocrita ao dizer que sou moderno e o escambau, mas eu nunca tive textos tao...tao...

Tudo na vida, por mais simples, ou estonteante que seja, é regrado de egoismos, egocentrismos, quem titubeia com mazelas não é sentimentalista, ou mero triste realista, a preocupação move, seja por amores próprios ou ao próximo, não penso no pensar só por pensar, mas por saber que o pensar é libertar, e se todos pudessem definir, ou simplesmente pensar o que é pensar, metade dos problemas estariam resolvidos...

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PETROLINA, PERNAMBUCO, Brazil
Em constante Solidão. A cada dia descubro que a melhor companhia que podemos ter é a nossa própria companhia. Amar, só a si próprio.